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Dia longo

Dia zicado esse. Começou com aquela ameaça de vírus que, graças à justiça da vida, já sumiu daqui. Depois, pra resolver esse problema, não saí de casa nem pra aula nem pra encontrar minhas amigas, como a gente tinha marcado. O que poderia faltar nesse dia super legal pra completar seu esplendor? Uma consulta no dentista?

Pois eu tinha uma marcada.

É que pode ser que eu precise fazer uma cirurgia na gengiva: um molar quebrou e eu fiz um canal, mas parece que quebrou uma parte interna, enfim, sei lá. O que importa é que a odontologista que me atendia, na Boa Vista (no centro do Recife) me indicou outra - que tem convênio com o plano - pra ver essa vibe da cirurgia. Ela me disse que o consultório dessa outra ficava na Avenida Recife, o que me pareceu razoável, considerando que tem ônibus da minha casa pra lá e é relativamente perto.

Eu liguei pro tal consultório e a atendente me disse onde ele realmente ficava, vejam o diálogo (estou em azul porque é óbvio que eu sou a mocinha da história):

Eu: Oi, blá blá blá cirurgia blá blá blá, o consultório é na Av. Recife, né?

Atendente: Não, é perto.

Eu: perto onde, mais ou menos?

Atendente: sabe o Galettu's?

Eu: Sei.

Atendente: Você entra na rua ao lado do Galettu's e vai em frente até chegar perto da linha do trem, fica por ali.

Eu: ah, tá bom.

Falei pra minha mãe onde era e ela fez mó terror, disse que era perigoso e tal. Mas eu pensei "sou do gueto, nada pode ser tão perigoso" (haha). Mas quando chegou o dia da consulta, amarelei, pensei que devia ser um açougue assustador e desisti.

Fiquei com a possível cirurgia pendente, mas ultimamente dona mamãe tava me pressionando pra ver isso e, meo, engoli o temor e remarquei a tal consulta. Fui hoje.

Desci na frente do restaurante, perguntei se tinha uma clínica odontológica por ali e geral disse: "vá em frente". Eu fui, por vinte; cem; quinhentos metros. Um quilômetro. Dois. Nada da clínica aparecer, e aquela rua estreita nunca terminava. Normalmente essas clínicas ficam em avenidas, essa não, fica numa vila que em alguns trechos tinha uma cara bem barra pesada (e olhe que eu não me assusto fácil com essas coisas) e, não sei vocês, mas pra mim, quando alguém diz: "procure a linha do trem", está dizendo: "procure o matadouro", porque pra mim trilhos abandonados têm cara de cena de crime.

Depois de andar feito uma condenada, cheguei à clínica. Velho, eu estaria mentindo se dissesse que acreditei no que vi. Tinha uma porta de vidro, um cômodo menor que meu quarto, um balcão apertado pra recepcionista - que não usava nenhum tipo de farda, umas cadeiras e duas portas-sanfona, que davam pra salas onde aconteciam os procedimentos. Tinha uma escada meio sombria que ia prum primeiro andar que não tive o desprazer de conhecer.

Sério, me senti naquelas clínicas de aborto que aparecem no submundo dos filmes.

Não tive coragem de ser examinada lá, muito menos de fazer minha primeira cirurgia da vida num lugar daquele. Inventei uma desculpa e fui embora.

Como lá perto tem um Hiper-Bompreço, eu pensei em ir no caixa eletrônico ver minha situação de grana. Saber que não se tem dinheiro não é suficiente, é preciso saber com riqueza de detalhes porque tem certas épocas de dureza em que comprar uma pipoca no débito pode te colocar no chegue especial.

Tinha caixa eletrônico de tudo quanto é banco, menos da Caixa, como de costume. Aí eu pensei que talvez pudesse encontrar umas roupinhas legais por ali e fazer um post sobre como catar roupas decentes em supermercados. Só tinha molambos e nem baratos eles eram.

O que salvou foi uma promoção de livros de R$2,90 a 19,90. Entre dezenas de títulos de auto-ajuda (juro que fiquei curiosa pelo "Guia da Empreendedora Descolada", huhuhu), tinha algumas coisas interessantes. Encontrei dois de Lygia Fagundes Telles por R$2,90 cada. Fiquei curiosa, sempre tive curiosidade pra sacar alguma coisa dela porque uma vez li que Carlos Drummond de Andrade pagava um pau pra ela, dizia que Lygia "é um raro misto de beleza e inteligência". Me pergunto se ela é boa mesmo ou se ele só falou isso porque tinha alguma queda por ela (quem já leu coisas dela, diga aí se gostou). Nesses casos tanto faz se é Drummond, Tiririca ou meu vizinho, o jeito de agir é sempre o mesmo.

Decidi só levar um porque não adianta comprar vários livros, mesmo baratos, porque eu não sou o tipo de pessoa que pode ter opções, tem que ser uma coisa só, pra não ficar indecisa nem fugir. A dúvida era entre "A Noite Escura e Mais Eu" e "A Estrtura da Bolha de Sabão". Como não decidia, resolvi que era melhor levar um terceiro, que não tivesse nada a ver com aquele - já falei que sou uma derrota pra escolher - e tinha um lá, de mistério. O nome era "Enigma para Incautos" e o autor, Patrick Quentin.

Não vou mentir, não faço idéia de quem seja esse cara (parece que nem é um cara, é só um codinome que vários autores usavam), mas eu assisto Cold Case, Closer, Monk e até CSI, então nenhum livro de investigação policial pode não me divertir, mesmo que seja ruim. Tive tempo de ler algumas páginas enquanto esperava o ônibus e acho que tô gostando. O protagonista é alcoólatra, tá num hospício, é apaixonado pela enfermeira loira e coisas misteriosas acontecem. Canastrice pura, o que é uma qualidade nesse tipo de história.

No fim das contas, o dia nem foi um desperdício completo. É bem verdade que peguei um engarrafamento na volta pra casa, mas eram uma 16:30 e essa é a hora em que é mais legal estar no ônibus. Me lembra de quando eu estudava à tarde, no colégio ainda, e largava cedo, vinha embora antes do sol se pôr. Adorava isso.

12 comentários

  1. Sabe onde tu tava? Num bairro chamado Caçote... eu também acho meio barra pesada, nunca imaginei que ali tivesse um consultório odontológico!

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  2. Cecília, era lá mesmo. Tu não sabia do consultório porque é preciso fazer um esforço grande pra notar que ele tá ali.

    =***

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  3. cheguei aqui mó afim de sacar a desgraça alheia e me decepciono.

    um dia bom desse e tu reclamando?

    achei tão divertido...

    :*****

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  4. Ô, "A estrutura da bolha de sabão" é tão legal...
    Ciso sempre me falava dele; de tanto ele falar, fui ler e achei bem bacana.

    meo, maldito vírus que desfalcou nosso pseudo-almoço e a saudosa boréstia no paredão. Hunf!

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  5. meooo
    que diazinho viu??
    tambem tenho q ir na dentista ver minha cirurgia..mas to empurrando com a barriga...
    bjooo

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  6. Ai que meda! rs

    Meww ri agora, tb não basta saber que to sem grana, quero ir olhar mesmo rs

    Bjs Dani

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  7. é o que aqui em minas a gente chama de "ô, dia bão!". ;)

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  8. a lygia fagundes telles é boa demais.

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  9. Dani, a Lygia é incrível, do tipo impossível de ler e ñ se apaixonar, o elogio do Drummond é mais do q merecido...se tiver oportunidade leia os livros q vc citou são ótimos, mas eu recomendo os romances 'Ciranda de Pedra' e 'As meninas'(são meus preferidos)...desculpe se me estendi, quase nunca comento nos blogs q leio, mas a Lygia é minha autora favorita e sempre me empolgo qdo falo dela rsrs

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  10. nossa ali e terrivel mesmoo!!!
    passo de onibus ali e tenho mo medooo!!!!!
    kkkk,bjuss

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  11. aaa ali num é tão barra pesada não...moro pertinho pow..hehehe...mas conheço essa "clinica" e minha irmã teve a mesma reação que vc ao marcar uma consulta lá.

    Beijos gatas e dias melhores virão. \o/

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  12. Lygia Faguundes Telles é lindeza impressa, ponto. :) Tem uma super influência da beleza e a angústia melancólica do Caio Fernando Abreu com o jeito sem-papas-na-língua-mas-que-dá-algumas-voltas-porém-deixando-tudo-mais-bonito da Clarice Lispector. É muito bom. Gosto dos contos, mas os romances também são MUITO bons. "A Estrutura da Bolha de Sabão" é muito bom. Nos romances, indico "As Meninas" e "Verão no Aquário". Mas num tem erro não, todos são bons. Pode ir com fé. :)

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