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{fundo do armário} Os óculos cor de rosa

Quando eu era criança, lá entre uns sete e oito anos, tive que usar óculos. Não me perguntem o porquê, eu era café com leite e, se diziam que eu tinha que fazer, eu tinha que fazer sem saber uma razão. Memórias distantes mostram alguém falando sobre "corrigir um desvio" e eu não faço a menos ideia se isso faz algum sentido.

O fato é que eu não sabia direito o que usar óculos representaria, mas aprendi rapidinho na primeira dilatação de pupila: um inferno. Me lembro de chorar muito enquanto o oftalmologista dizia que uma mocinha não chora, e de olhar no espelho e achar que meus olhos pareciam verdes. Desejei ter olhos verdes pra sempre, mas só durou algumas horas.

Minha mãe me levou a uma ótica pra escolher o modelo que ia me acompanhar nessa jornada rumo à correção não sei de quê. Provei um monte e escolhi meu preferido: um azul. Não sei se as armações eram de acetato naquela época, acho que não. Eram pesadas, imagino que fosse resina. Esse azul não chegava a ser bonito, mas era muito melhor que o rosa provado logo antes, aquele sim era triste.

—  Vamos levar o rosa.
—  Não, mãe! O azul é meu mais favorito de todos!
— Você não é menino pra usar o azul.

E nesse momento, foi plantada a primeira semente feminista na minha alma. Por uma convenção de gênero que não fazia sentido nem pra uma criança de 7 anos, eu saí da loja carregando sobre o nariz aquela pequena amostra de até onde pode ir a feiúra.

Usei os óculos por meses e não me lembro quantas vezes meus primos apontaram pra mim às gargalhadas ou fui chamada do clássico quatro-olhos na escola. Só lembro que, aos 7 anos, eu já tinha desenvolvido mais consciência do que fica melhor em mim do que minha mãe.

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O que a gente veste sempre marca nossa história, né? Por isso, resolvi criar essa nova tag por aqui, a Fundo do Armário, pra relembrar esses episódios que a gente viveu, não lembra de muita coisa, mas sabe exatamente o que tava usando. :)

6 comentários

  1. Kkkkkkkkk! Usei óculos dos 2 aos 15 anos!! Uma armação pior que a outra, porque as primeiras quem escolhia era minha mãe (tadinha), e não tinha muita opção infantil na época (tenho mais de 30, abafa). Mas a pior de todas envolveu a misturá trágica de: pupila dilatada+meu pai. Ele nunca ia comigo a médico nenhum, mas nesse dia foi ao oculista e teve a brilhante ideia de me levar pra escolher a armação em seguida, ou seja, eu não tava vendo nada direito! Resultado: quando o óculos ficou pronto foi que vi que tinha comprado uma armação rosa, com detalhes ridículos nas laterais, e eu já tinha uns 11 anos...Até minha mãe tirou onda com a minha cara! Pra completar as lentes eram daquele tipo que escurece quando a gente tá no sol! Eu parecia uma ceguinha, dessas de desenho animado, bem caricata mesmo! kkkkkkkkkk! Só rindo mesmo!!
    Cristina

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  2. Adorei, Dani!
    Olha, lembrei hoje do aparelho de luz pulsada, deu certo pra vc o q vc comprou? Queria comprar um mas não sem antes saber se alguem q já usou (no caso, vc) aprovou o produto... Obrigada :)

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  3. Oi Dani! Posso dizer que adorei essa postagem?
    Assim como você, comecei nesse mundo "quatro olhos" aos 8 anos. Eles também eram rosa, mas fui eu que escolhi! :D Aos 15 anos, estava com um grau de miopia bem forte e ainda aparelho nos dentes... imagina só!
    Mas graças à Deus e à medicina, hoje aos 29 anos estou livreeeee! Há um ano fiz cirurgia de correção de miopia e considero a melhor coisa que fiz na vida (depois de usar aparelho nos dentes... hahahaha).
    Adoro seu blog!
    Abraço de uma pernambucana que morre de saudade da terrinha!
    Aline Daniela

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  4. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk adorei! Acho que muita gente passou por isso né? No meu caso era óculos redondos (ao estilo Jô Soares!), marrom-imitando-casco-de-tartaruga. Numa criança gorda, com rosto redondo, cabelo cacheado e franja!

    Só penso que: Graças a Deus, eu melhorei!!!

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  5. Que demais esse post! Adorei essa primeira sementinha feminista <3
    Muito bacana mesmo essa história ;)

    Beijo

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  6. Nooossa Dani! Compartilho totalmente desse sentimento, a tag será super válida!
    Uma das coisas fantásticas que a independência financeira nos trás e esse sentimento de poder comprar nossas coisas sem precisar da aprovação de quem paga, né? Lembro de sair com a minha mãe pra comprar coisas pra mim e sempre ter que engolir somente as que ela queria me dar ... Mas vai reclamar do quê, né Dani? Pelo menos ainda temos alguém que se importa com a gente, tanta gente no mundo sem isso ... O negócio é lembrar com carinho desses momentos e rir do passado! Beijão, lindo post!

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